Adriana Sangaletti e Charlton Duarte processam jornalista com base em áudios descontextualizados. Enquanto isso, eles poupam ex-membros que expuseram abusos. Dessa forma, o documento em cartório e as manobras judiciais colocam em xeque a idoneidade da instituição.
Nesse sentido, o papel do jornalismo investigativo é lançar luz sobre fatos de interesse público. A profissão deve dar voz aos silenciados, mesmo sob tentativas de abafamento por intimidação judicial. Contudo, Adriana Sangaletti e Charlton Duarte, em nome da Igreja Amor e Cuidado, iniciaram uma ofensiva contra o exercício da imprensa. Consequentemente, essa manobra levanta sérios questionamentos sobre a integridade de suas ações.
O alvo escolhido e a conveniência do silêncio
Além disso, a estratégia dos líderes religiosos é bastante clara. Eles registram sucessivos boletins de ocorrência contra o jornalista e classificam as reportagens como “mentiras”. No entanto, mantêm uma inação conveniente contra as verdadeiras fontes das denúncias. Atualmente, inúmeras pessoas relatam experiências traumáticas sofridas no templo através da internet. Curiosamente, Adriana e Charlton não confrontam judicialmente esses ex-membros. Portanto, o alvo exclusivo da dupla permanece sendo o mensageiro.
Da mesma forma, para proteger a própria imagem, a liderança apela para a frágil teoria do “conluio”. Eles alegam que as testemunhas agem de forma combinada para atacar a igreja. Entretanto, essa tese desmorona diante dos fatos. Afinal, a maioria dos ex-membros que relataram abusos semelhantes sequer se conhece. Nesse contexto, as vítimas se unem apenas pelo padrão de comportamento que sofreram sob a gestão atual.
Falta de empatia e desqualificação de ex-membros
Ademais, a liderança demonstra completo desprezo pela situação psicológica dos ex-frequentadores. Em diversas oportunidades, Adriana Sangaletti mostrou falta de empatia pelos danos emocionais causados no ambiente eclesiástico. Em vez de oferecer acolhimento, ela escolhe a desqualificação sistemática. Nesse sentido, a líder desdenha da dor alheia e, sempre que pode, rotula como “mentirosas” as pessoas que ousaram questionar seus métodos.
Por outro lado, as ações de Adriana e Charlton perdem idoneidade diante das provas que sustentam. A investida jurídica contra o jornalista baseia-se em narrativas forjadas e áudios deliberadamente tirados de contexto. Todavia, os líderes não previam a força da integridade de quem participou das conversas.
A verdade registrada em cartório
Posteriormente, o autor dos áudios tomou conhecimento da distorção das suas falas. Ao perceber que usavam sua voz para incriminar o jornalista, ele decidiu restabelecer a verdade por vontade própria. Assim sendo, movido pela honestidade, ele registrou um termo de declaração em cartório — documento dotado de fé pública.

Neste documento oficial, o interlocutor revela que a dupla captou os áudios de maneira ardilosa. Além disso, ele confirma que não deu conhecimento ou anuência para a gravação. O declarante afirma expressamente que os líderes retiraram suas falas de contexto com um objetivo único: fabricar uma narrativa criminal contra o profissional de imprensa.

Contradições no sistema judiciário
Do mesmo modo, movimentações recentes nos tribunais expõem novas contradições. Cristina Sangaletti, mãe e Advogada de Adriana e Charlton, tentou afastar o Promotor Dório Sampaio do caso alegando parcialidade. Todavia, a família omite um detalhe crucial sobre o magistrado que conduz a ação.
Vale destacar que o processo principal mudou de juiz por quatro vezes. Por fim, a ação parou nas mãos de Heber Gualberto Mendonça, que proferiu a condenação contra o jornalista. O detalhe ignorado pela liderança é que o juiz é membro da própria Igreja Amor e Cuidado em Araçatuba. Em virtude disso, surge o questionamento: por que o promotor que contraria seus interesses é “parcial”, mas um juiz que pertence à mesma igreja seria isento?
Em suma, representantes religiosos não podem usar a máquina estatal para perseguir a imprensa com provas obtidas de má-fé. Quando ignoram o clamor de vítimas e recorrem a manobras seletivas, eles perdem o lastro moral. Afinal, o desespero para manter a imagem de intocabilidade apenas evidencia o medo da verdade. E a verdade, finalmente, não pode mais ser silenciada.
“Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores.”
Mateus 7:15



