Objeto interestelar analisado por telescópios indica formação há até 12 bilhões de anos
O objeto interestelar 3I/ATLAS chamou a atenção da comunidade científica ao revelar características incomuns. Astrônomos analisaram o corpo celeste com os telescópios Telescópio Espacial James Webb e Atacama Large Millimeter Array.
Os dados indicam que o objeto se formou entre 10 e 12 bilhões de anos atrás. Ou seja, surgiu quando a Via Láctea ainda passava por intensa formação de estrelas.
Além disso, o estudo foi divulgado na plataforma Research Square e ainda aguarda revisão por pares.
Objeto funciona como cápsula do tempo
Diferente de cometas do Sistema Solar, o 3I/ATLAS preserva materiais extremamente antigos. Por isso, os cientistas o consideram uma espécie de cápsula do tempo galáctica.
Esses dados ajudam a entender como sistemas planetários se formaram no início da galáxia. Além disso, permitem comparar ambientes químicos muito distintos.
Composição química surpreende pesquisadores
O grupo liderado pelo astrofísico Martin Cordiner identificou uma característica incomum na água do objeto.
O nível de deutério, conhecido como hidrogênio pesado, aparece até dez vezes maior do que em cometas do Sistema Solar. Isso indica formação em ambiente extremamente frio.
As temperaturas, segundo os pesquisadores, ficaram abaixo de -243 °C. Portanto, o gelo do objeto surgiu em condições raras.
Mudanças na atmosfera chamam atenção
Além da composição, o comportamento do objeto também surpreendeu. Ao longo de 2025, sua atmosfera passou por mudanças relevantes.
Em agosto, predominava o dióxido de carbono. No entanto, em dezembro, o monóxido de carbono se tornou dominante.
Essa transição indica processos físicos complexos durante a aproximação do Sol.
Baixo teor de enxofre sugere origem distinta
Outro dado importante envolve a baixa presença de enxofre. A quantidade de sulfeto de carbonila aparece bem abaixo do padrão observado em cometas locais.
Isso sugere que o sistema estelar de origem do 3I/ATLAS possuía composição química diferente. Assim, reforça a diversidade de ambientes na galáxia.
Implicações para a origem da vida
A descoberta traz impactos diretos para o estudo da vida no universo. O objeto apresenta elementos essenciais como carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio.
Esses componentes formam a base da química da vida. Portanto, a presença deles em um objeto tão antigo indica que essa “receita” já existia muito antes do Sol.
Dessa forma, a pesquisa reforça a ideia de que condições para planetas habitáveis podem ser comuns na galáxia.
Estudo ainda está em revisão
Apesar dos resultados promissores, os dados ainda passam por análise de outros especialistas. Esse processo garante maior confiabilidade às conclusões.
Mesmo assim, o 3I/ATLAS já se destaca como um dos objetos mais importantes para entender a história da galáxia.



