Grupo é investigado por usar nomes de pessoas carentes para montar empresas de fachada e fraudar o Fisco em Mato Grosso.
A Operação CNPJ na Cela em MT teve como alvo, nesta terça-feira (3), uma franquia da linha de bebidas Mansão Maromba, em Rondonópolis. A Polícia Civil apura um esquema de sonegação fiscal com uso de empresas de fachada, registros falsos e “laranjas”. A ação mira uma organização criminosa que simulava operações no comércio de grãos.
Operação CNPJ na Cela em MT mira esquema de fraude fiscal
Primeiramente, a Delegacia Especializada de Crimes Fazendários (Defaz) deflagrou a Operação CNPJ na Cela em MT para desarticular um esquema estruturado de sonegação. Segundo a polícia, o grupo criou empresas sem lastro real. Em seguida, simulou capacidade operacional para movimentar créditos e notas.
Além disso, os investigados usaram cadastros formalmente regulares. No entanto, a atividade era fictícia. Assim, a organização ocultava a origem e o destino das operações.
Franquia da Mansão Maromba entra na lista de alvos
Durante o cumprimento dos mandados, uma franquia distribuidora da Mansão Maromba, em Rondonópolis, entrou na lista de alvos. A marca pertence ao influenciador Toguro e comercializa bebidas energéticas e misturas prontas.
Conforme apurado, imagens internas indicaram referência à comercialização de grãos. Por isso, a polícia passou a apurar possível uso da estrutura para simular operações inexistentes. Dessa forma, o esquema ganhava aparência de legalidade.
Mandados, bloqueios e medidas cautelares
Ao todo, a Justiça autorizou 50 ordens judiciais. Entre elas, nove mandados de busca e apreensão. Além disso, determinou 21 suspensões de atividades econômicas e financeiras de empresas.
Também houve afastamento de sigilo de dados telemáticos. Ademais, a decisão suspendeu o registro profissional de um contador no CRC. As ordens partiram do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz de Garantias de Mato Grosso.
Empresas de fachada e uso de “laranjas”
As investigações apontam a criação de empresas em nome de pessoas vulneráveis. Em muitos casos, os endereços eram inexistentes ou incompatíveis. Em um registro, a sede constava como uma unidade prisional.
Assim, o grupo simulava atividade rural para dar lastro a operações no papel. Além disso, captava dados pessoais para abrir empresas de fachada. Com isso, tentava driblar a fiscalização.
Papel técnico na engenharia da fraude
Segundo a polícia, um contador teve atuação central no esquema. Ele estruturava registros e documentos para criar aparência de legalidade. Dessa maneira, os líderes ocultavam a própria identidade por meio de “laranjas”.
Para o delegado João Paulo Firpo Fontes, o uso de endereços de presídios revela a audácia do grupo. Já o delegado Walter de Melo Fonseca Júnior destacou a complexidade da fraude e a estratégia de ocultação dos líderes.
Próximos passos da investigação
Agora, a polícia aprofunda a análise de dados e fluxos financeiros. Em paralelo, novas quebras de sigilo podem ocorrer. Por fim, o inquérito busca identificar os beneficiários finais do esquema e recuperar valores sonegados.



