Pai foi preso; madrasta está foragida. Crianças sofreram agressões físicas, psicológicas e isolamento por anos
O casal condenado por torturar três crianças durante seis anos também impedia que elas mantivessem contato com a mãe biológica. O pai, Marcelo Melo Dias, de 40 anos, já cumpre pena. Já a madrasta, Aline Fonseca de Castilho, da mesma idade, segue foragida.
Além das agressões, o casal restringia visitas e dificultava qualquer aproximação da mãe com os filhos.
Mãe perdeu guarda após acidente
Segundo relato de fonte próxima à família, a mãe perdeu a guarda temporariamente após sofrer um grave acidente de carro que exigiu internação. No entanto, mesmo após se recuperar, ela não conseguiu retomar a convivência regular com as crianças.
Conforme denúncia do Ministério Público de São Paulo, o filho mais velho contou aos investigadores que o pai e a madrasta proibiam encontros com a mãe. Além disso, eles a ofendiam na frente das crianças.
Quando os filhos tentavam defendê-la, o casal respondia com agressões físicas e psicológicas.
Gravações ajudaram a revelar as torturas
Para tentar escapar da violência, o menino mais velho passou a gravar os episódios de agressão. Em seguida, ele enviava o material à mãe, que encaminhava as provas ao Conselho Tutelar e à polícia.
Áudios e vídeos anexados ao processo reforçam que as crianças viviam sob extrema crueldade.
Madrasta sustentava imagem de “família perfeita”
Enquanto as agressões aconteciam dentro de casa, Aline mantinha nas redes sociais a imagem de “mãe exemplar”. Ela publicava fotos que simulavam um ambiente familiar harmonioso.
Em várias postagens, ela mencionava ser mãe de uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) grau 3 de suporte. No entanto, segundo a denúncia, essa mesma criança sofria violência constante.
A encenação fez com que vizinhos e familiares duvidassem das denúncias feitas pela mãe biológica.
Criança com TEA sofreu agressões durante desfralde
De acordo com o processo, a criança diagnosticada com TEA — que era não verbal à época — sofria agressões principalmente durante o processo de desfralde.
Segundo os relatos, os responsáveis esfregavam o rosto da criança nas próprias fezes quando ela evacuava fora do local considerado adequado. Além disso, eles a trancavam em um quarto e a deixavam suja por horas.
Em momentos de desespero, a criança chegava a ingerir os próprios dejetos.
Os irmãos, por sua vez, tentavam protegê-la. Contudo, ao interferirem, também sofriam espancamentos, estrangulamentos e ameaças de morte.
Pai tentava evitar marcas visíveis
As investigações apontam que Marcelo planejava as agressões para evitar marcas aparentes nos dias próximos às visitas da mãe. Ainda assim, ele frequentemente impedia ou dificultava esses encontros.
Em alguns casos, ele escondia as crianças em locais desconhecidos pela mãe, inclusive na casa de familiares da companheira.
Condenação e busca por foragida
A Justiça condenou o casal em regime fechado pelo crime de tortura. O processo aponta agressões físicas e psicológicas, privação de alimentação, ameaças de morte e aplicação de choques elétricos.
Marcelo foi preso em 4 de fevereiro e cumpre pena de sete anos e cinco meses. Já Aline recebeu pena de seis anos de prisão, mas continua foragida.
Informações indicam que ela pode estar em Paraguaçu (MG), Campinas ou Votorantim (SP).
Quem tiver informações sobre o paradeiro da condenada pode acionar o Disque-Denúncia pelo telefone 181. O serviço é gratuito, funciona em todo o país e preserva o anonimato.



