As matérias campeãs de audiência em 2025 não foram fruto de acaso, mas do choque de realidade que Birigui sofreu ao observar as figuras de Charlton Duarte e Adriana Sangaletti. Para um jornalista, os fatos são matéria-prima, mas as incoerências deste caso são o próprio combustível de uma indignação coletiva que tomou as redes sociais.
A primeira e mais gritante incoerência reside no diploma de psicologia de Adriana Sangaletti. Existe um abismo ético intransponível entre a formação que ensina a acolher o sofrimento humano e a postura de quem, diante de denúncias de traumas e crises de pânico de ex-membros, responde com o deboche público de que a igreja não é creche. É o paradoxo do ano, uma profissional da mente que, ao invés de buscar a reparação emocional dos afetados, prefere o ataque pessoal, o rótulo ideológico e o “barraco” como método de gestão de crises.
Essa mesma dissonância se estende ao campo social. Como compreender uma liderança que gere um projeto voltado ao futuro de crianças, o Empreendedor Mirim, mas que utiliza o encerramento de um convênio alimentar como palanque para a vitimização política? Onde deveria haver a responsabilidade social de uma gestora e o amor cristão de uma pastora, viu-se apenas a frieza de quem parece usar o assistencialismo como ferramenta de pressão, e não como missão de vida.
O uso do rótulo de “extrema esquerda” para camuflar denúncias de abusos espirituais e administrativos é a prova final da falência de argumentos. É a cortina de fumaça mais velha do manual do autoritarismo, apontar para um fantasma político para esconder as feridas reais de quem saiu da instituição com a saúde mental em frangalhos. A lição que 2025 deixa para Birigui é clara, títulos de “pastora”, “psicóloga” ou “gestora” não apagam as obras de quem prefere o confronto à humildade.
O jornalismo de Birigui cumpriu seu dever ao dar voz aos silenciados, enfrentando inclusive a tentativa de inversão de culpa onde o mensageiro é atacado para que a mensagem seja esquecida. No entanto, os números de acesso e a memória da cidade mostram que a verdade não aceita rédeas, especialmente quando ela nasce da dor de quem apenas buscava fé, e encontrou ferida.



