Governos afirmam que opositor russo morreu após exposição a substância 200 vezes mais forte que a morfina
Cinco governos europeus afirmaram neste sábado (14/2) que Alexei Navalny sofreu envenenamento antes de morrer na prisão, em fevereiro de 2024. Segundo Reino Unido, França, Alemanha, Suécia e Holanda, exames identificaram epibatidina no corpo do opositor. Essa toxina extremamente potente ocorre em sapos venenosos do Equador.
Além disso, os governos sustentam que a análise reforça suspeitas já levantadas por aliados do ativista.
Substância tem alto poder letal
As autoridades explicaram que a epibatidina é cerca de 200 vezes mais potente que a morfina. Portanto, a substância pode paralisar os músculos respiratórios e provocar morte por sufocamento.
O anúncio ocorreu durante a Conferência de Segurança de Munique, na Alemanha. Na ocasião, representantes dos cinco países declararam que somente o Estado russo reuniria meios técnicos, capacidade operacional e motivação política para executar o ataque.
Ainda assim, os governos não divulgaram detalhes sobre o local nem sobre a data dos exames.
Países pretendem formalizar denúncia
Em seguida, os cinco governos anunciaram que levarão o caso à Organização para a Proibição de Armas Químicas. Segundo eles, o episódio pode violar a Convenção de Armas Químicas.
Por outro lado, o Kremlin voltou a negar qualquer participação. Autoridades russas também rejeitaram acusações anteriores envolvendo supostos envenenamentos de opositores.
Morte ocorreu antes das eleições presidenciais
Navalny morreu em um centro de detenção no Ártico um mês antes das eleições presidenciais de 2024. Ele cumpria pena de 19 anos por acusações que aliados e organizações internacionais classificam como politicamente motivadas.
Desde 2021, quando retornou à Rússia após tratamento médico na Alemanha, o opositor relatava condições severas de prisão. Segundo sua defesa, agentes penitenciários mantinham vigilância constante e impunham privação frequente de sono.
Viúva reforça acusação contra Putin
A viúva, Yulia Navalnaya, declarou no ano passado que dois laboratórios independentes já apontavam sinais de envenenamento. Agora, segundo ela, os novos resultados confirmam que Navalny sofreu envenenamento.
Ela voltou a responsabilizar diretamente o presidente Vladimir Putin pelo caso.
Tribunal europeu responsabiliza Rússia
Duas semanas antes do anúncio, o Tribunal Europeu de Direitos Humanos determinou que a Rússia pagasse 26 mil euros por tratamento desumano imposto ao opositor.
A corte concluiu que autoridades russas violaram o direito à vida, à liberdade e à dignidade. Embora a Rússia tenha deixado o Conselho da Europa em 2022, o tribunal mantém que o país responde por violações cometidas antes da saída.
Mesmo assim, Moscou ignora decisões do tribunal com frequência.
Pressão diplomática aumenta
A acusação de que Navalny sofreu envenenamento amplia a pressão internacional sobre o governo russo. Enquanto líderes europeus defendem responsabilização formal, o Kremlin mantém a negativa.
Assim, o caso segue como foco central de tensão política entre Rússia e Europa.



