Por: Fábio Tadeu de Oliveira Araújo (DRT nº 0088181/SP)
Atualmente, um esquema implacável de poder movimenta o mercado da fé no Brasil, sequestrando a espiritualidade popular para fins escusos. O que observamos hoje — da tribuna de Birigui aos palanques de Brasília — não é a pregação da virtude, mas um estelionato moral institucionalizado. Certas lideranças converteram o sagrado em uma reles mercadoria de troca para garantir cargos, verbas e, principalmente, impunidade.
O Balcão de Negócios no Mercado da Fé no Brasil
O cenário nacional expõe as vísceras desse sistema com nitidez assustadora. Recentemente, o deputado Marco Feliciano escancarou o cinismo político ao condicionar o apoio evangélico ao governador Tarcísio de Freitas. Ao exigir uma cadeira no Senado em troca do voto dos fiéis, Feliciano prova como funciona o mercado da fé no Brasil: o cristão vira simples gado eleitoral. Ele não discute o Reino de Deus; ele negocia o preço do “rebanho” no balcão do poder.
O “Deputado Imaginário” e a Omissão em Birigui
Enquanto o comércio de almas opera no topo, o populismo religioso mascara a incompetência na base. Em Birigui, o vereador Everaldo Roque Santelli debocha do munícipe ao subir na tribuna para declarar que “não lhe cabe intervir” na saúde pública.
- Santelli atropela a lei: O parlamentar ignora a Lei Orgânica do Município, que o obriga a fiscalizar o Executivo e cobrar eficiência no atendimento.
- Fuga para o populismo: Enquanto o cidadão padece na fila do raio-X, o vereador gasta tempo com pautas de costumes que não resolvem problemas reais da cidade.
- Escudo religioso: Ele utiliza a religião para esconder o despreparo técnico e o abandono das funções básicas do cargo.
A Indústria do Medo e o “Deus Capataz”
Para que os lucros do mercado da fé no Brasil continuem girando, essas figuras tentam amordaçar o jornalismo investigativo. Elas utilizam o Lawfare (assédio jurídico) e a intimidação nos porões das mensagens privadas.
A experiência que enfrento com a família Sangaletti é pedagógica. Elas invocam o nome de Cristo para destilar veneno e ultimatos, como o pavoroso “pare antes que parem você”. Tentam transformar o Deus da misericórdia em um “Deus Capataz”, usado apenas para proteger uma linhagem que vive do vitimismo público enquanto pratica a agressividade na sombra.
O paralelo é sombrio: o método do medo que ex-membros da Igreja Amor e Cuidado relataram é o mesmo que agora tentam aplicar contra o Perdigueiro Notícias. Elas não suportam o espelho da verdade porque ele revela uma essência apodrecida pela soberba e pela sede de perseguição.
A Verdade como Única Resistência
O ataque que sofro hoje em Birigui é o recibo de que a verdade toca o centro nervoso desse mercado. Ao dar voz a quem sofreu dentro dessas estruturas, encerrei o prazo de validade do silêncio delas.
O Brasil não encontrará salvação em quem usa o altar para enriquecer ou o púlpito para ameaçar. A história registrará que a fé sem ética é apenas um negócio lucrativo e que o “Cristo” dessas figuras sentiria náuseas de suas atitudes.



