Controlar o consumo de açúcar nos primeiros anos de vida pode trazer benefícios duradouros para o coração. É o que mostra um novo estudo publicado no British Medical Journal, que indica que uma dieta com baixo teor de açúcar na infância reduz o risco de doenças cardíacas na vida adulta.
Pesquisadores de nove países analisaram dados de mais de 63 mil britânicos nascidos entre 1951 e 1956, usando informações do biobanco britânico UK Biobank. O grupo incluiu pessoas que viveram o período de racionamento de açúcar no Reino Unido — entre 1940 e 1953, durante e após a Segunda Guerra Mundial — e outras que nasceram depois, sem restrições alimentares.
Os resultados mostraram que aqueles que tiveram menor exposição ao açúcar desde a gestação até os dois primeiros anos de vida apresentaram:
- 20% menos risco de desenvolver doenças cardíacas;
- 25% menos risco de infarto;
- 26% menos risco de insuficiência cardíaca;
- 24% menos risco de fibrilação atrial;
- 31% menos risco de AVC;
- e 27% menos risco de morte cardiovascular.
Segundo os cientistas, quanto maior o tempo de restrição, menores foram os riscos, possivelmente por conta de níveis mais baixos de pressão arterial e menor incidência de diabetes. Essas pessoas também permaneceram livres de doenças cardíacas por até dois anos e meio a mais do que aquelas sem restrições.
Durante o período de racionamento, o consumo diário de açúcar foi limitado a menos de 40 gramas, e nenhum açúcar adicionado era permitido na alimentação de bebês com menos de dois anos.
“O período que vai desde a concepção até os dois primeiros anos de vida é uma janela crítica na qual a nutrição molda o risco de doenças cardiometabólicas ao longo da vida”, explicam os autores, das universidades de Ciência e Tecnologia de Hong Kong e de Boston, nos Estados Unidos.
Os pesquisadores alertam que, atualmente, muitos bebês consomem quantidades excessivas de açúcar — tanto pela dieta materna quanto por fórmulas e alimentos ultraprocessados. Restringir o açúcar nessa fase inicial, afirmam, pode ajudar a prevenir infartos, derrames e outras doenças cardíacas no futuro.



