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117 anos de Araçatuba: o cupim casqueirado e a tradição que virou patrimônio cultural

Araçatuba (SP) celebra 117 anos nesta terça-feira (2) e, além das comemorações, a cidade reforça o orgulho pelo cupim casqueirado, prato que ultrapassou fronteiras e se tornou parte essencial da identidade local. Embora muitos elementos definam a cultura de um município — como linguagem, arquitetura e costumes —, a culinária frequentemente assume papel central nessa construção. Por isso, o prato típico conquistou espaço afetivo entre moradores e visitantes.

O município, que reúne mais de 208 mil habitantes, segundo o IBGE, transformou a receita em símbolo histórico. Nos períodos de férias e alta temporada, por exemplo, alguns restaurantes chegam a vender até seis toneladas de cupim por mês. Isso demonstra não apenas o impacto cultural da receita, mas também sua força econômica.


Selo obrigatório garante a preservação da tradição

Para servir o cupim casqueirado de maneira oficial, os estabelecimentos precisam obter um selo emitido pelo Conselho Municipal de Turismo. Dessa forma, o município assegura que o preparo siga o padrão tradicional, preservando sabor e autenticidade. Caso o local descumpra as regras, o selo é imediatamente retirado, impedindo que o restaurante utilize o nome do prato em campanhas de divulgação. Assim, o controle garante que o consumidor receba sempre a experiência original.


A origem do prato: improviso, inovação e reconhecimento

A história do cupim casqueirado começa em 1989, quando Sérgio Montoro, hoje com 68 anos, adquiriu um bar próximo a duas faculdades. Como a clientela era formada principalmente por estudantes, ele buscava uma comida completa, acessível e saborosa. Por isso, decidiu apostar no cupim, que naquela época não era considerado um corte nobre. Entretanto, o sabor surpreendeu.

Durante um dos preparos, Sérgio percebeu que, ao expor a peça por mais tempo ao calor da brasa, surgia uma casquinha crocante e caramelizada, enquanto o interior permanecia macio. A combinação, além de inesperada, agradou imediatamente ao público. A partir daí, o prato passou a fazer parte da rotina do bar. A escolha das guarnições também ocorreu de forma natural: “Se tem churrasco, tem mandioca e vinagrete”, relembra o criador.

Com o tempo, o prato ganhou força, tornou-se tradição e, inclusive, passou a representar encontros familiares, aniversários e almoços de domingo. Sérgio, porém, mantém humildade e destaca que o reconhecimento verdadeiro está nos elogios de quem experimenta a receita.


Um sabor inconfundível e impossível de copiar

O empresário Fabrício Ribeiro, de 43 anos, também tem o cupim casqueirado como carro-chefe do restaurante. Segundo ele, muitos clientes viajam até Araçatuba exclusivamente para experimentar o prato. Além disso, vários afirmam que o cupim casqueirado da cidade possui um sabor único, impossível de reproduzir em outras regiões.

Fabrício explica que já provou versões do prato fora do município, porém nenhuma atingiu o mesmo resultado. Isso ocorre porque o processo tradicional é mais demorado e cuidadoso. Por consequência, o interior da carne fica extremamente macio, enquanto a “casquinha” externa mantém textura marcante e crocante. Para muitos, o aroma do cupim remete imediatamente a reuniões em família, mesa cheia e boas histórias.


A lei que oficializou o prato típico da cidade

Em 2010, a Lei Municipal nº 7.324 oficializou o cupim casqueirado como prato típico de Araçatuba. O texto não apenas descreve a receita original, mas também determina o tipo de corte, o método de preparo e os acompanhamentos obrigatórios. Dessa forma, a legislação protege a tradição e preserva a identidade gastronômica regional.

Entre as determinações, a lei exige:

  • Preparo em braseiro de fogo alto com madeira.
  • Churrasqueira elétrica do tipo giragril.
  • Porções servidas com mandioca cozida, salada, farofa, vinagrete e molho de tomate batido com cheiro-verde.
  • Corte grande, gorduroso e próprio do cupim bovino.
  • Avaliação e fiscalização permanente pelo Conselho Municipal de Turismo.

Se o estabelecimento não cumprir o padrão, perde o selo e o direito de divulgação. Assim, Araçatuba garante que o prato se mantenha exatamente como foi criado.

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FabioOliveira

Editor

Fábio Oliveira é o editor e responsável pela página Perdigueiro Notícias. Com foco na apuração de fatos e na cobertura de eventos, ele comanda a produção de conteúdo, dedicando-se a investigar e trazer as informações mais relevantes para os seus leitores. Como o nome da página sugere, seu trabalho é focado em “farejar” a notícia para manter o público sempre bem informado.

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