A política brasileira tem produzido cenas que beiram o tragicômico. Entre elas, destaca-se a crença do clã Bolsonaro de que Donald Trump atuaria como aliado incondicional em uma suposta cruzada internacional contra o governo Lula e o Supremo Tribunal Federal. A realidade, no entanto, mostrou-se bem diferente.
Quando Eduardo Bolsonaro deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos, financiado por apoiadores que ainda tratam teorias conspiratórias como estratégia política, o objetivo era claro: buscar respaldo externo para pressionar instituições brasileiras. Contudo, o plano não apenas fracassou como se voltou contra seus idealizadores.
Em transmissões ao vivo marcadas por tom alarmista e estética improvisada, Eduardo e aliados passaram a celebrar sanções, tarifas e até a aplicação da Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras. Além disso, autoproclamaram-se interlocutores diretos de Trump, narrativa rapidamente absorvida pela bolha bolsonarista mais radical.
Bravatas que viraram placar adverso
Com o passar do tempo, porém, as ameaças perderam força. Assim como na histórica goleada sofrida pelo Brasil contra a Alemanha em 2014, a comparação com um “7×1” tornou-se inevitável — desta vez, no campo político.
Primeiro, Jair Bolsonaro acabou preso preventivamente, contrariando previsões de caos institucional. Em seguida, veio a condenação pesada pela participação na trama golpista. Logo depois, a transferência do ex-presidente para uma cela na Polícia Federal substituiu o conforto da prisão domiciliar.
Enquanto isso, Lula interrompeu a curva de desgaste e recuperou aprovação popular. Paralelamente, Trump adotou postura pragmática: elogiou o presidente brasileiro, recuou em tarifas comerciais e esvaziou qualquer expectativa de apoio ao bolsonarismo.
Isolamento e fim da ilusão internacional
Além disso, decisões que antes eram vendidas como vitórias diplomáticas foram revistas. A própria aplicação da Lei Magnitsky perdeu força no discurso internacional, deixando claro que o suposto alinhamento entre Trump e Bolsonaro nunca passou de fantasia política.
Diante desse cenário, o placar simbólico se ampliou. Cada movimento institucional contrariou o roteiro traçado pelos bolsonaristas, enquanto o discurso de influência global do grupo se dissolveu.
Resta, como “gol de honra”, a tentativa de emplacar o PL da Dosimetria — ainda assim cercado de controvérsias e questionamentos jurídicos. Um lance tardio, sob revisão constante, que pouco altera o resultado final.
No fim das contas, a lição é direta: na política internacional, bravata não substitui diplomacia. E acreditar que o “laranjão” jogaria em favor dos “mitos” mostrou-se um erro estratégico de grandes proporções.



