Por Fábio Oliveira
O reenvio do projeto que institui a Taxa de Coleta de Resíduos Sólidos — popularmente conhecida como “Taxa do Lixo” — pela prefeita Samanta Borine à Câmara Municipal, neste mês de novembro, reacendeu um dos debates mais espinhosos da política local. Nas ruas de Birigui, a tecnicidade da lei ou as exigências do Marco Legal do Saneamento perdem espaço para um sentimento muito mais palpável e imediato: a asfixia financeira do contribuinte.
Para o munícipe médio, a notícia da possível criação de um novo boleto chega com gosto amargo. A visão predominante nas conversas de calçada e nas redes sociais é de incredulidade e revolta. O cidadão, que já lida com a inflação e o custo de vida crescente, encara a proposta não como uma adequação legal, mas como uma “punição” ao seu orçamento doméstico já comprometido.
A resistência popular se alicerça na sensação de bitributação. Há um entendimento enraizado na cultura local de que o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) já deveria cobrir os serviços de zeladoria e limpeza urbana. Ao se deparar com a possibilidade de pagar especificamente pela coleta de lixo, a leitura que o povo faz é direta: “Vou pagar duas vezes pelo mesmo serviço?”.
O clima é de desconfiança. Independentemente de quem ocupa a cadeira do Executivo, o biriguiense demonstra fadiga fiscal. A frase “chega de impostos” ecoa como um mantra, unificando comerciantes, que temem o aumento de custos fixos, e famílias de baixa renda, para as quais qualquer taxa extra representa um corte na lista de compras do mercado.
Neste cenário de novembro de 2025, a opinião pública se cristaliza em uma única direção: a recusa em abrir a carteira novamente. Para a população, pouco importa a justificativa jurídica; o que prevalece é a visão de que o poder público está, mais uma vez, transferindo a conta para o cidadão trabalhador.



